Começar informal ou formal?

Uma reflexão real sobre o início de um negócio de alimentação no Brasil

REFLEXÕES E MENTALIDADE

Por Ricardo Batista — Gestão Food Pro

5/12/20253 min ler

Muita gente me pergunta: “Vale a pena começar informal ou já formaliza tudo desde o início?”
E a resposta que eu sempre dou é: depende da sua realidade. E eu falo isso com propriedade, porque a minha caminhada começou de forma bem simples — e nem por isso menos profissional.

A história da Mais Nutriente: uma cozinha caseira e muita vontade de fazer dar certo

Março de 2016. A Mais Nutriente nasceu como uma lanchonete dentro de uma academia. Toda a produção era feita na cozinha da minha casa. Era informal, mas era organizada. Produzíamos à noite, tanto pelo tempo disponível, quanto para manter a organização do ambiente doméstico.

Ali, mesmo ainda sem CNPJ, já existia uma preocupação real com segurança alimentar. Higiene era prioridade, estrutura era adaptada, mas pensada. A mentalidade sempre foi de negócio, e não de improviso.

A transição para o MEI — sem perder a essência

A partir de outubro daquele mesmo ano, a operação passou a ser 100% focada na venda de marmitas congeladas. A Mais Nutriente já tinha sua própria cozinha, pequena, com cerca de 20m², dividida entre cozinha e estoque. Hoje vejo que já uma dark kitchen, mesmo sem conhecer esse nome ainda.

Nessa fase, já como MEI, mas mesmo sem a obrigatoriedade de alvará da vigilância, a estrutura foi montada e adaptada pensando na segurança alimentar. Contratamos mais tarde, uma consultoria com engenheira de alimentos e organizamos os processos.

Já era profissional? Era sim. Mesmo pequeno, era negócio de verdade.

E hoje? Somos ME, com tudo que exige: normas, laudos, certificados e muita responsabilidade

Hoje a Mais Nutriente está em outro patamar. Mudou de porte, mudou de estrutura, e com isso também aumentaram as responsabilidades legais e técnicas. Laudos, alvarás, segurança do trabalho, fiscalização, tudo isso faz parte do dia a dia do empresário do food service.

Mas o que não mudou foi a mentalidade. Desde lá de trás tudo já era levado a sério. E isso fez diferença.

Então, começar informal é errado?

De forma alguma. Eu entendo (e respeito muito) o empreendedor que começa dentro de casa, com o que tem. Isso é a realidade de MUITA gente no Brasil.
Durante a pandemia, vimos uma onda de novos empreendedores vendendo pelas redes sociais, pelo WhatsApp, pelo iFood… Gente que precisava sobreviver. E conseguiu.

O que precisa ser dito é que começar informal não é sinônimo de bagunça. Você pode sim começar simples, mas com mentalidade de negócio, cuidando da segurança do alimento, da entrega, do atendimento, da organização mínima.

E começar formal garante sucesso?

Também não. Ser CNPJ não é passe livre pro sucesso.
Ter um plano de negócios bonito, formalizar tudo e investir pesado não garante que tudo vai dar certo. O sucesso é multifatorial. É disciplina, mentalidade, adaptação e evolução constante.

Mas, sim — quanto mais profissional você for desde o inicio, mais perto dos seus objetivos você fica. Começar certo, se puder, é o melhor caminho. Mas não é o único.

Conclusão: informal ou formal, o importante é começar — e crescer com consciência

Se você vai começar pequeno, dentro de casa, sem CNPJ — tudo bem. Mas leve a sério desde o início.
Se você tem condições de começar já estruturado, melhor ainda. Mas mesmo assim, não ache que isso te livra dos desafios. Ter uma consultoria e pessoas com experiência no ramo também te ajudará a chegar mais rápido no destino final, o sucesso.

A dica final? Esteja preparado para evoluir. E lembre-se: o mais importante não é como você começa. É como você conduz a sua jornada.